sábado, 8 de agosto de 2009

Porque pai + mãe é = pais.

A minha homenagem, hoje, é para os dois.

Pode ser que sim
por Lygia

Os meus pais são casados há muitos anos, quase três décadas. São daquela época em que os casais se separavam menos e que se esforçavam mais para ficar juntos (que fique claro, aos separados, que eu não acho que seja apenas uma questão de esforço).

Enfim, eles são do grupo dos opostos que se atraem, do grupo dos iguais que permanecem e fazem, ainda, parte do grupo dos iguais que se atraem e, também, do dos opostos que permanecem.
Explico.

Quando eles se atraíram, pela primeira vez, eram opostos. Minha mãe era extrovertida, social e bem falante, enquanto o meu pai era mais reservado e pouco sociável. Depois de alguns anos, eles se mantiveram ligados, mas daí, já não eram tão diferentes assim: minha mãe já não era tão sociável e nem meu pai tão reservado. Passados outros tantos anos, em que permaneceram juntos e sim, continuaram apaixonados, eles se tornaram mais iguais no que eram diferentes e mais diferentes em coisas que nem apareciam antes.

Hoje meu pai aprendeu a gostar muito de falar, às vezes, até se esquece de parar e minha mãe ficou bem mais tranquila e na dela. Minha mãe odeia sertanejo e meu pai não se importa nenhum pouco de escutar. Meu pai adora livrarias, a minha mãe prefere ir caminhar.

Alguns diriam: Coitados, perderam a identidade. Eu diria que não. Eles construíram uma nova. Com um pouco de um, um pouco de outro e um tanto dos dois. Quando eu ligo pra casa (não moro com eles há bastante tempo) para saber como eles estão, minha mãe sempre responde no plural: Nós estamos bem; nós estamos cansados; nós estamos vendo filme e – a melhor delas – nós estamos doentes. Sim, eles também ficam doentes juntos.

Meus pais são demais. Aprenderem a ser felizes juntos, construíram uma vida, uma família (que já ficou maior) e um Amor.

Muita gente diz que eu sou solteira (repare no verbo SOU, não ESTOU) porque sou muito exigente. É verdade. Sou mesmo.

Mas, dizem que exemplo vem de casa. E da minha casa veio um, quase perfeito. É quase e o melhor: é de verdade.

Por isso, eu acredito... Aconteceu bem pertinho de mim.

3 comentários:

Unknown disse...

Lyli
Que texto lindo!
Eu também sou uma felizarda por ter um exemplo tão legal quanto o seu...

Bia J. disse...

Lindo o texto amiga :)

Drika disse...

é bom gastar o tempo com coisas bonitas! adorei o texto.