segunda-feira, 29 de junho de 2009

Aula de spinning
por Clarice

Estava na minha casa, gastando meu tempo durante a tarde que não trabalho, quando resolvi tomar uma atitude e vestir a roupa de ginástica e sair para a academia. Com as temperaturas que tem feito em São Paulo nas últimas semanas, com certeza esta foi uma atitude muito corajosa e louvável.

Tudo bem, eu sei que não fiz mais do que minha obrigação numa época em que se fala tanto em sedentarismo, obesidade, sei lá, todas as adversidades de uma vida sem atividade física. Nunca fui sedentária, preguiçosa e nem obesa (tá bom, já tive sobrepeso, mas quando eu era mais novinha...), mas mesmo pessoas com o perfil “esportista” têm os seus dias de não querer fazer nada... Como no frio, a xícara de capuccino, a barra de chocolate, o aquecedor podem ser muito irresistíveis, sair de casa para se exercitar acaba sendo uma aventura muito respeitável.

Ainda mais com o que pode acontecer nos minutos seguintes a esta decisão. Já tenho uma rotina sutil na academia... Fazer uma aula de alongamento e depois alguma atividade mais aeróbica para ajudar o coração e também para dizer adeus aos companheiros alimentares do inverno... E foi neste momento aeróbico que vive uma verdadeira loucura.

Imagino que seja universal. Em muitas academias ou clubes há uma sala fechada com pouca luz, muitas bicicletas, espelhos, televisão, som muito alto, um professor e algumas pessoas com algum objetivo parecido com o seu naquele momento.

É dada a largada e as manifestações mais bizarras do seres humanos começam a tomar destaque. Alguns pedalam tranquilamente. Outros ainda se ajeitam na bicicleta. Muitos falam alto, já são amigos de longa data, penso eu. Tem até aquela que tem sapatilhas de ciclista!! Uau, isto foi uma inovação pra mim, pensava que só aqueles que realmente pedalam enfrentando os obstáculos topográficos é que precisavam delas!!! Acho que estou ficando pra trás...E, de repente, o show começa. Sim, porque aula é a única coisa que aquilo não é. Aos gritos de “AULA!!!”, “UHUUU” e “TÁ FÁCIL”, entre outros, as pessoas começam a se movimentar loucamente, pedalam insanamente, suam, molham o chão e, pelo menos aparentemente, se divertem como nunca.

Já contei que a temperatura estava baixa fora da academia mas, acredite, dentro dela, também, por conta do ar-condicionado. Mas mesmo assim algumas pessoas não sentem frio! Tem sempre aquela gata andando de top e parte de baixo bem colada no corpo. Se ela não sente frio, sorte dela, né?E lá estávamos nós, eu e mais umas quinze pessoas. “SOBE!!!!!!”, “Aumenta o peso!!!”, “Tão com preguiça?? Fica em casa!!!” O professor é peça fundamental. Haja bom humor, paciência e uma certa dose de loucura. Claro, porque ele também pira e muito!!! Levanta os braços, grita, vibra e ainda provoca lembrando que comer é bom, mas agora é hora de queimar!!!Vamos pensar que já eram 18h30 de uma quinta-feira. A semana deve ter sido dura, o trânsito de São Paulo é aquele de sempre e acredito que a pressão no trabalho seja aquela que imaginamos. Por que nos enfiamos num lugar fechado, levemente fedido (o ar-condicionado disfarça odores) e aceitamos uma música alta, bem alta, uma luz estranha e urros de (in)satisfação?

Deve ser porque já vivemos numa época em que pedalar fora de quatro paredes é atividade de alto risco, principalmente numa cidade como São Paulo. Não sei, este pensamento é piegas, qualquer um diria isso. A verdade é que não consegui pensar em nada melhor que pudesse refletir aquilo que senti quando me vi naquela condição. Triste ou feliz?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Coisas de MSN
por Lygia


Tem uma coisa que eu não consigo entender e, pra falar a verdade, não gosto nenhum pouco.

É o tal do nickname. As pessoas entram no MSN e escrevem ao lado do nome uma palavra, frase, um poema, uma música, um pergaminho....Você ta lá, tranquila em frente ao seu computador, quando, de repente, aparece uma janelinha no canto da tela avisando que algum amigo seu (que aliás, eu duvido que sempre seja um amigo, porque metade do seu MSN deve ser de pessoas com quem você não fala há anos) acabou de entrar.

Você, então, dá uma olhada geral na sua lista de contatos e lá encontra dezenas, se não milhares de: “Juzinha-no-trampo”; “Fe-viver-e-não-ter-a-vergonha-de-ser-feliz”; “João-balada-irada-hoje-à-noite”; “Vi-no-palco-com-Marisa-Monte”.

Ah, pera lá!!! Por que as pessoas fazem isso, para quê?????

Eu até acho que quando eu era adolescente inventava essas coisas também. Mas, isso já faz alguns anos (para ser gentil comigo mesma). Eu estou um pouco longe da adolescência e, pelo que me consta, na minha lista de contatos também não tem ninguém que se encaixe no perfil.

Sim, eu confesso que nesse ano, às vésperas do carnaval, eu inventei um nickname: “Ly-SSA 2009” e depois, acreditem: “Ly-Ah-que-bom-vc-chegou”. Que vergonha!!! Sabe aquela sensação de vergonha alheia??? Então, eu senti. Vergonha alheia de mim mesma. Eu não podia estar normal. E não estava mesmo.

Antes de escrever esse texto, eu fui procurar a palavra no dicionário, para ter realmente certeza do que ela significa. E lá está: nickname – apelido ou apelido que as pessoas inventam para usar na Internet. Resumindo, nickname é só, apenas, APELIDO. Desculpe, mas, por algum acaso alguém te encontra na rua e diz: Oie, “Pati-no-show-do-Gil”. Tudo bem, “Di-quem-canta-seus-males-espanta”??? Não, né? Eu tenho certeza que não.

Então vamos combinar o seguinte. Se você quiser mandar um recado para uma das 60 pessoas que estão no seu MSN, aproveita que a informática hoje está avançada: tem email (sim, email), Twitter, Orkut, Facebook. Se você for mais conservador também não passa aperto, pode usar o correio, mandar um telegrama, uma carta. Se você escreveu uma letra de música porque gosta de cantar, vai no videokê, faz aula de música, grava um cd. As alternativas existem aos montes e seu direito de se expressar vai continuar preservado.

Então, reserve para escrever no nickname apenas o seu nickname. Se você não tem um, invente um NOME ou peça para algum amigo criativo inventar um. Se depois de tudo isso você não conseguir, aceite e, por favor, escreva só o seu nome mesmo.

Valorize aquilo que você tem.

Seus contatos, com certeza, agradecem.

terça-feira, 23 de junho de 2009

“Não queio!”
por Clarice

Era um final de tarde de sábado e eu estava na Livraria da Vila, vendo e lendo os livros novos na parte Infanto-Juvenil. Por estar no Cidade Jardim, acho que é possível (vi)ver coisas inimagináveis.

Primeira impressão: muitas crianças (ufa, que bom!!) e muitos adultos de branco. Como não era uma ala hospitalar, Reveillón ou qualquer manifestação de Candomblé, só podia ser uma tribo: as babás. Agora elas estão por toda parte e em qualquer momento. Papais e mamães já não podem mais sentar ao lado do filho e ler um livrinho à toa, como quem quer curtir um sábado em família.

Então, lá estão elas, cuidando daqueles que não foram trazidos ao mundo por elas, mas que agora são seres sob sua responsabilidade. Perto de mim, duas crianças lindinhas, novinhas e que adoravam tirar os livros da prateleira. No fundo, este é o grande passatempo deles por lá. E a leitura? Bom, esta nem é tão importante. No geral, as frases mais comuns são: “Antônio, para de bagunçar senão eu vou chamar o seu pai.”; “Júlia, olha lá a moça da livraria vendo você bagunçar tudo, ela vai vir brigar com você.”

Quem vai brigar com quem? As vendedoras estão lá fazendo o seu trabalho, talvez pensando na hora de ir embora, talvez olhando para aquele amontoado de livros no chão, jogados e pensando em quanto trabalho vai dar para guardar tudo aquilo. Ou talvez não estejam pensando em nada disso... Já aqueles outros seres ameaçadores “papai e mamãe”, estão circulando pela grande loja, fazendo alguma coisa que não permita infanto-juvenis por perto. A verdade é que eles, normalmente, não dividem o mesmo espaço.

Ah, mas quando dividem... Daí, já foi outra cena que eu pude curiosamente observar. Era uma pequerrucha de uns dois anos de idade com o pai e a mãe na sala infanto-juvenil. Muito animadinha, a menina tirava muitos livros da estante e punha em cima da mesinha. Que alegria que aquilo produzia nela. Cada livro, um sorrisinho...

Aquilo estava muito bonitinho de se ver... Mas, eis que surge ele... O papai... Com dois DVDs na mão e, feliz, fala para a filhota: Olha o que o papai tem aqui: “Hi5!!!” Eu, já pronta para a reação, pensei que a menina fosse se manifestar da maneira mais “Cartoon Network” possível para uma criança... Para minha surpresa (e alegria), do auge de seus dois anos e pouco de idade, ela pronuncia a seguinte frase: “Não queio!” E para contornar a decepção do pai, ainda coube uma manifestação de indignação: “Não quer, filha?? É o Hi5 que você adora!!”.

É, não teve jeito... Como uma luz no fim do túnel, vejo a mãe pronta para contornar aquela situação desconfortável. “Acho que é melhor a gente ver algum DVD de filme, ela já pode começar a acompanhar filminhos.” É, mamãe, ela já pode ampliar seus horizontes para além da TV a cabo...

Nova tentativa da família. Já próximos a todos os DVDs disponíveis, papai e mamãe começam a mostrar as possibilidades à pequerrucha. Interessante pensar no poder de escolha de uma criança de dois anos. Ela vê, opina e decide?? Era verdade tudo aquilo?

Até que o papai, num esforço de ser o melhor pai do mundo, faz a oferta irrecusável: “Pode escolher DOIS que o papai vai te dar, filha!!”. Nossa, ela podia escolher dois DVDs num dia qualquer de sua vida em mais um passeio ao shopping. Não me parecia ser seu aniversário, estamos longe do Natal, não é dia das crianças, nem Páscoa, nem qualquer outra festividade. Tudo bem, estou sendo radical, por que não presentear quem amamos quando temos condições, né? Mas logo a resposta veio, daqueles que ainda exalam um pouco de inocência: “Não queio, papai!”

Não sei que fim este impasse teve. Para mim, até ali o final tinha sido o mais surpreendente e feliz que eu poderia ter tido e preferi ir embora tentando imaginar o raciocínio daquele bebê: Não papai, eu tenho só dois anos e não quero substituir amor por presente. Eu já estou feliz de estar passeando com você e com a mamãe. Por hoje, isso me basta.

Talvez, daqui uns anos, ela comece a aceitar os presentes que o papai vai trazer das suas longas viagens como prova de afeto. Que pena, papai! Era muito melhor quando ela ainda dizia “Não queio!”. Seu amor ainda era insubstituível.

segunda-feira, 22 de junho de 2009


Para gastar o tempo
por Clarice

Um dia tem 24 horas ou 1440 minutos ou 86400 segundos. Quanto deste tempo passamos fazendo o que realmente gostamos?

Basicamente, poderíamos dividir um dia nas seguintes atividades: dormir, trabalhar, comer, locomoção, higiene, atividades domésticas, lazer e estudo. Faça o exercício de dividir as 24 horas do seu dia nestas atividades e fique à vontade para acrescentar outras.

(...)

E aí, como foi?

Imagino que, para um adulto, a maior parte do dia seja dedicada ao trabalho. E, certamente, poucos são os sortudos que trabalham o dia inteiro se divertindo muito e são apaixonados por aquilo que fazem. Outros tantos cumprem estas longas horas pensando no que vão poder fazer quando não estiverem ali e com o dinheiro que aquilo rende...

Daí, chegam estes momentos de lazer e a gente tem vontade de SUMIR. Que vida louca!! Ou a gente está fazendo algo de que não gosta tanto ou a gente está tentando sumir... Por que vivemos tanto este medo de nos encontrarmos com nós mesmos? De nos tornarmos seres suportáveis? De lutarmos para viver aquilo que realmente queremos? Por que já não temos tempo para gastar? Quem inventou que tempo é dinheiro?

Não fazer nada é quase um crime. Talvez seja uma sugestão entrar como artigo no código penal. Afinal, quantas autoridades se defenderam de manifestantes chamando-os de vagabundos? Segundo o dicionário “Houaiss”, uma das definições de vagabundo é quem leva a vida no ócio.

A verdade é que não importa como o seu dia esteja dividido, se isto é o melhor, necessário ou possível para você. O que eu sinceramente espero, é que você ainda consiga parar para observar o mundo que acontece à sua volta: as pessoas que cruzam o seu caminho, as borboletas, os pássaros e outros seres vivos que dão cor ao cenário da sua vida. Espero que algum sentido haja em tudo aquilo que você faz e que ainda consiga sonhar.

E mais do que tudo isto, tenha algum tempo para gastar...

domingo, 21 de junho de 2009

O nascimento

por Lygia

O blog surgiu de um desejo comum de duas amigas com muitas coisas em comum.

Eu e a Clarice nos conhecemos na faculdade de Psicologia. Foi muito longe de ser “amizade à primeira vista”. Ela, com a tradicional cara de brava, marca registrada, para quem não a conhece direito e eu, com o tradicional jeito “aparecida demais”, marca registradíssima para quem não me conhece direito (e para quem conhece muito bem também).

Muitos anos se passaram desde então. E, obviamente, muitas coisas aconteceram na vida de cada uma de nós. Ah, a primeira impressão logo foi substituída por todas as outras muito diferentes que vieram depois.

Há uns anos, por conta desses fatos da vida, a gente passou do estágio de amiga-amiga, para amiga-irmã. E daí pra frente passamos a compartilhar muitas situações do dia-a-dia e, inevitavelmente, a compartilhar, também, a maneira de olhar para o mundo.

A gente segue mais ou menos a mesma vida profissional. Temos um interesse grande na Educação. Somos apaixonadas por animais, crianças e pessoas de coração bom. Admiramos atitudes cidadãs e acreditamos nelas como uma forma de fazer um mundo melhor.

Além disso, gostamos muito de escrever. Até hoje, escrevemos apenas para contextos acadêmicos (e como escrevemos!) e quando pensamos em montar um blog achamos que não seria tão divertido um blog que falasse só de coisas profissionais.

Sim, nós somos felizes com a profissão que escolhemos. Mas, como diz a sabedoria das vovós, não se pode colocar todas as fichas no mesmo “porquinho”. Porque se você investe em apenas uma coisa na vida, tem muitas chances de ser infeliz quando perdê-las. As coisas por aqui, infelizmente, não são para sempre.

Este blog é o nosso mais novo investimento. O nosso novo “porquinho”. Queremos falar das coisas da vida: engraçadas, bobas, tristes e daquelas que são importantes também (nessas últimas, a Cla é perita).

Esperamos que vocês encontrem aqui um lugar para gastar o tempo e para, de vez em quando, ocupar o seu tempo, também.


Sejam bem-vindos,

Lygia e Clarice