por Clarice
Estava na minha casa, gastando meu tempo durante a tarde que não trabalho, quando resolvi tomar uma atitude e vestir a roupa de ginástica e sair para a academia. Com as temperaturas que tem feito em São Paulo nas últimas semanas, com certeza esta foi uma atitude muito corajosa e louvável.
Tudo bem, eu sei que não fiz mais do que minha obrigação numa época em que se fala tanto em sedentarismo, obesidade, sei lá, todas as adversidades de uma vida sem atividade física. Nunca fui sedentária, preguiçosa e nem obesa (tá bom, já tive sobrepeso, mas quando eu era mais novinha...), mas mesmo pessoas com o perfil “esportista” têm os seus dias de não querer fazer nada... Como no frio, a xícara de capuccino, a barra de chocolate, o aquecedor podem ser muito irresistíveis, sair de casa para se exercitar acaba sendo uma aventura muito respeitável.
Ainda mais com o que pode acontecer nos minutos seguintes a esta decisão. Já tenho uma rotina sutil na academia... Fazer uma aula de alongamento e depois alguma atividade mais aeróbica para ajudar o coração e também para dizer adeus aos companheiros alimentares do inverno... E foi neste momento aeróbico que vive uma verdadeira loucura.
Imagino que seja universal. Em muitas academias ou clubes há uma sala fechada com pouca luz, muitas bicicletas, espelhos, televisão, som muito alto, um professor e algumas pessoas com algum objetivo parecido com o seu naquele momento.
É dada a largada e as manifestações mais bizarras do seres humanos começam a tomar destaque. Alguns pedalam tranquilamente. Outros ainda se ajeitam na bicicleta. Muitos falam alto, já são amigos de longa data, penso eu. Tem até aquela que tem sapatilhas de ciclista!! Uau, isto foi uma inovação pra mim, pensava que só aqueles que realmente pedalam enfrentando os obstáculos topográficos é que precisavam delas!!! Acho que estou ficando pra trás...E, de repente, o show começa. Sim, porque aula é a única coisa que aquilo não é. Aos gritos de “AULA!!!”, “UHUUU” e “TÁ FÁCIL”, entre outros, as pessoas começam a se movimentar loucamente, pedalam insanamente, suam, molham o chão e, pelo menos aparentemente, se divertem como nunca.
Já contei que a temperatura estava baixa fora da academia mas, acredite, dentro dela, também, por conta do ar-condicionado. Mas mesmo assim algumas pessoas não sentem frio! Tem sempre aquela gata andando de top e parte de baixo bem colada no corpo. Se ela não sente frio, sorte dela, né?E lá estávamos nós, eu e mais umas quinze pessoas. “SOBE!!!!!!”, “Aumenta o peso!!!”, “Tão com preguiça?? Fica em casa!!!” O professor é peça fundamental. Haja bom humor, paciência e uma certa dose de loucura. Claro, porque ele também pira e muito!!! Levanta os braços, grita, vibra e ainda provoca lembrando que comer é bom, mas agora é hora de queimar!!!Vamos pensar que já eram 18h30 de uma quinta-feira. A semana deve ter sido dura, o trânsito de São Paulo é aquele de sempre e acredito que a pressão no trabalho seja aquela que imaginamos. Por que nos enfiamos num lugar fechado, levemente fedido (o ar-condicionado disfarça odores) e aceitamos uma música alta, bem alta, uma luz estranha e urros de (in)satisfação?
Deve ser porque já vivemos numa época em que pedalar fora de quatro paredes é atividade de alto risco, principalmente numa cidade como São Paulo. Não sei, este pensamento é piegas, qualquer um diria isso. A verdade é que não consegui pensar em nada melhor que pudesse refletir aquilo que senti quando me vi naquela condição. Triste ou feliz?