quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O milagre da criação
por Lygia

Pelo título, parece que eu vou falar de algo divino. Na verdade, eu vou, mas não exatamente sobre o que parece.

É que por esses dias eu estava pensando que a gente precisa ser muito criativo para viver a vida. Em São Paulo então, você precisa ser a criação personificada.

De manhã, você sai para o trabalho e os 20 minutos que você sempre levava para chegar, em um belo dia (no caso, aqui em SP em muitos “belos e não tanto assim” dias), se multiplicam e viram horas. Obviamente choveu ou algum carro quebrou ou teve um acidente às 6 da manhã do outro lado da cidade que parou todo o resto da cidade, durante um dia inteiro. E você, na hora, é claro, fica puto, nervoso, odeia viver aqui. Mas, depois, se tiver sabedoria e vontade de preservar seu estômago de uma úlcera, resolve relaxar, aumentar o som, pedir o jornal que entregam na rua (que serve para distrair o trouxa que vai passar o dia no engarrafamento), falar no celular, checar emails, meditar, respirar, cantar.

Na hora do almoço, se você não tem o privilégio de ir para sua casa comer e se na sua casa não tem alguém que resolva isso por você (e a grande maioria não tem nem um nem outro), você precisará inventar o que vai comer. Parece bobo, né? Mas não é. Todo santo dia, você tem que escolher onde ir, com quem ir, o que está com vontade de comer, se vai pagar muito, pouco, se quer pegar fila....Eu acho que tem que ser bem criativo pra fazer isso todos os dias.

E você passa o dia no trabalho, provavelmente tendo que inventar soluções, resolver problemas, criar programas, produtos e afins. Criando muito.

E daí, chegou a hora de ir embora para casa que NUNCA, imagino eu, seja aquela que você achou que ia ser. É mais tarde e você não jantou e também não fez exercícios e aí precisa inventar rapidamente o que fazer, se vai comer, se vai malhar, se vai dormir.

E se é seu rodízio então, haja criatividade! Três horas não parecem nada, mas no dia do rodízio elas são horas eternas...porque justamente naquele dia você podia ter saído mais cedo, porque teve menos trabalho para fazer. Podia, MAS, não vai, vai precisar criar, inventar o que fazer com o tempo livre - que você não é nada livre para escolher o que fazer com ele.

E aí depois de muitos dias vivendo as coisas semelhantes de trânsito, trabalho, rodízio e afins chega o esperado final de semana. Se não chove, o que não é raro, você que mora em São Paulo, capital, cheia de oportunidades, não precisará fazer nenhum esforço para ser feliz, certo?

Mais ou menos. Você vai precisar ser criativo de novo. Se resolve ir pra praia vai precisar ser muito estrategista para fugir do trânsito (na ida e na volta). Se ficou, vai continuar precisando montar estratégias para ir ao restaurante e conseguir sentar a tempo de não morrer de fome, para ir ao parque e ter onde sentar, para ir ao cinema, teatro e outras atividades culturais, e realmente conseguir entrar.

Criatividade pura, da hora que acorda a hora que vai dormir. Se você não mora em São Paulo não morra de inveja. A gente é criativo mesmo, em bando. Não porque queremos, somos obrigados, para conseguir viver no meio de toda essa falta de criatividade que está virando esse lugar. Criativos por pura falta de opção.

domingo, 13 de setembro de 2009

Crianças e computadores?
por Clarice

A presença de computadores e do mundo virtual na realidade de nossas crianças já é um fato que não pode ser negado por nós. Estas crianças nasceram no século XXI imersos neste ambiente de informações rápidas e ilimitadas.

Muito provavelmente, a grande maioria delas tem acesso a isto nas suas casas, portanto cabem as perguntas: Será que vale a pena também a escola trazer isto para os seus alunos? Ou devemos aproveitar os momentos em sala de aula para outros fins?

Qualquer resposta deve partir de um princípio básico: quando usar. Certamente o uso indiscriminado e sem orientação de computadores para crianças não faz nenhum sentido no ambiente escolar. Agora, se for utilizado como ferramenta pedagógica, com planejamento e objetivos claros, não há porque encará-lo como um vilão.

Há diversos programas adequados para a faixa etária com que trabalhamos, caberia à equipe de professores e coordenação fazer uma seleção do material mais pertinente. Devemos considerar que há um mundo a ser desvendado através da tecnologia que só ela pode nos oferecer e é isto que devemos buscar quando propomos o seu uso em sala de aula.

A tecnologia não deve se sobrepor a outros recursos que são fundamentais ao desenvolvimento das crianças (brincar, conviver, conversar, desenhar, cantar, etc.). Ela deve ser usada naquilo em que ela se diferencia do resto, por exemplo: No desenvolvimento de um tema como “A volta ao mundo”, é de grande utilidade consultar a internet para ver como as crianças de outros países vivem. Além de ser possível usar programas específicos para o aprendizado de idiomas, como mais uma ferramenta lúdica e estimuladora, ou, ainda, no incentivo à entrada ao mundo letrado através da escrita de e-mails, ferramenta tão fundamental na comunicação do nosso século.

Uma proposta pertinente é que haja um computador com acesso à internet disponível para os alunos da Educação Infantil com supervisão dos professores e também para uso dos professores com objetivos pedagógicos de ampliar os horizontes das aulas oferecidas às crianças. Sabendo usufruir dos benefícios que a tecnologia pode trazer para o desenvolvimento das crianças, ela, com certeza, é e deve ser muito bem-vinda à escola.