sexta-feira, 3 de julho de 2009

O lapso da mãe natureza
por Lygia

Alguém já viu uma propaganda (acho que de refrigerante) que o cara chega perto da mulher, todo interessado, e ela toma o maior susto porque ele ganha uma cauda de pavão? A mensagem final era que o cara deveria agradecer à natureza por não ser assim ou qualquer coisa do tipo.

Eu não acho que os caras têm que agradecer por isso. Não mesmo. Acho que, no fundo, eles seriam muito beneficiados se, na hora da paquera, ganhassem penas de pavão.

Na verdade, eu tenho um pouco de dó dos homens na balada... (em outros lugares também, mas isso não vem ao caso agora). Obviamente não tenho dó de todos. Tirando os que eu também sinto um pouco de raiva, tem uns outros que eu aceito e alguns poucos, que eu gosto de verdade.

Os que eu aceito são os que estão na balada para se divertir, que até se aproximam das mulheres, mas não vivem em função disso. Os tímidos também são ok, porque são tímidos mesmo e quando tomam coragem de se aproximar eu já estou indo embora e tudo bem. Pra eu gostar mesmo, o cara tem que saber se virar nos 30. Mas, o foco do texto, não são eles. Eu quero mesmo é falar sobre a grande massa masculina frequentadora das baladas.

A massa é basicamente constituída de caras feios que se acham bonitos, engraçados que são engraçados porque sabem que são feios, bonitos que se acham muito bonitos e são chatos. O ponto comum é que a maioria está na balada para “pegar”. O verbo mais popular do momento já diz tudo. Então, porque o objetivo de vida desses caras é pegar, eles tentam de tudo para convencerem a ala feminina de que valem a pena.

Você (mulher, no caso) está na balada e, ao direcionar o olhar para a parte mais cheia de gente, cruza SEM QUERER o olhar com um santo que está SEM QUERER na sua frente. Pronto, bastou.

O ser humano imediatamente vira uma boia inflável e cria raízes naquele lugar. E é nessa hora que eu começo a ter MUITA dó.

O cara não sabe mais o que fazer. Ou ele fica olhando sem parar, com olhar 43, tipo gatinho; ou dança desengonçadamente, o que é muito frequente, porque homens não dominam muito a arte da dança; ou vai se aproximando aos poucos...(que nem o Cascão e o Cebolinha vestidos de arbusto para seguir a Mônica sem ela perceber)... O cara estava longe e, quando você menos espera, ele está ali, grudado em você.

Nessas horas, eu tenho certeza absoluta de que as penas do pavão poderiam salvar o momento. O cara olhou para a mulher, gostou, PLUFT. Uma grande cauda, bela e pomposa, apareceria nas costas dele e, então, tudo estaria resolvido. Ele não precisaria mais inventar nenhum xaveco horrível, não ia precisar dançar de um jeito estranho, nem falar alto para chamar atenção. Nada disso ia ser necessário, porque a mulher ia ver de longe suas lindas plumas e entenderia aquilo como expressão de interesse.

Se ela gostasse das penas e do resto também, simplesmente daria um sorriso meigo e o cara poderia, então, se aproximar como uma pessoa normal. Daí, ia poder agir normalmente, ficando parado, ao invés de dançar, falando coisas normais e tendo atitudes normais também. E todo mundo sairia ganhando.

É uma grande injustiça a mãe natureza ter escolhido dar uma cauda tão visível e expressiva para os pavões e ter deixado os homens tão desamparados. Por isso, eles têm que fazer de tudo para aparecer ... e é uma pena (de dó mesmo, não de pavão) porque eles estão agindo de um jeito cada vez mais estranho...

...Problemas que o sortudo do pavão jamais teria que enfrentar...

Um comentário:

skinneriano disse...

Lygia, mesmo na condição então criticada, concordo com você....rrsssss....os homens na balada têm se prestado a cada papel que eu acabo me envergonhando de pertencer a essa classe. Agora que eu gostei da idéia da cauda do pavão é verdade. A mãe natureza poderia bem ter sido generosa a nosso favor. Eu agradeceria muito a ela.
Bjms