Aprendendo com o cidadão
por Lygia
São Paulo é uma cidade com milhares de vantagens para se viver. Tem, também, é claro, inúmeras desvantagens. Muita gente, muitos carros, muita sujeita, muita violência, muita miséria.
Todo mundo sabe que quando chove por aqui é um caos total. Dentre outras coisas, os bueiros entopem de lixo e as enchentes tomam conta das ruas e de um monte de casas também.
Nesses dias, o que mais se vê no trânsito (eu vejo pelo jornal, porque sempre volto para casa quando a chuva aperta) são as pessoas muito irritadas, enfiando a mão na buzina. Motoqueiro quebrando o espelhinho dos carros, os carros empurrando as motos para fora da pista e por aí vai.
O trânsito, as pessoas irritadas e a buzina de todos os lados já fazem parte do cenário da cidade. O caos está sempre no limite de se instalar, mas nos outros dias que não chove, dá para a gente entender de onde sai, pelo menos uma parte, da sujeira da cidade.
Não importa o carro, o status e nem o bolso, o cara (ou a cara) que se acha completamente fora e inatingível daquilo que acontece com nós, pobres mortais, está lá de vidro escancarado, com o braço para fora, fumando o seu precioso cigarrinho.
Até aí, tá tudo bem (pra mim, pelo menos) porque no fim desse episódio, a bituca do cara que fuma vai para o lixo do carro dele, que ele separou só para essas situações. Certo?
Errado, né? A bituca vai direto para as ruas. Mas, tudo bem. Porque é SÓ uma bituca e ela é bem pequenininha. E tudo bem também, porque ele deve fumar só um cigarro por dia e, não tem nenhum problema, porque junto com ele não existem mais um milhão de pessoas (chutando bemmm baixo) que fazem a mesma coisa diariamente.
E eu que devo ser chata mesmo, porque além da bituca, ninguém costuma jogar latinhas, papéis, garrafas e essas coisinhas que não causam dano para fora da janela. Ufa, ainda bem.
É uma pena que esse comportamento cidadão não seja apenas privilégio dos nobres paulistanos. Tem gente para representá-los fielmente no país todo. Eu presenciei uma cena dessas que a gente tem muito orgulho de ver lá na Bahia. Porque quando não tem rua, a gente pode jogar o que não quer mais onde der mesmo e o cara do meu lado, jogou uma LATINHA de cerveja no MAR. Sim, no mar. A lata de lixo estava ao lado dele, mas ele não viu, porque não tem problema nenhum jogar só uma latinha no mar.
E daí no dia da chuva a gente vê pela televisão: enchente em São Paulo (na Bahia, no Espírito Santo...) carros ilhados, motoristas subindo no capô para se protegerem da água da chuva (que diga-se de passagem é cristalina), milhares de quilômetros de congestionamento, a água invadindo as casas....
Mas quem será que é o responsável por tudo isso? Só pode ser São Pedro mesmo que manda chuva demais, porque o cara que eu vi só jogou uma bituca, o outro só jogou uma latinha e, o outro, só uma garrafa e, o outro, só uma sacola e, o outro, só um pente velho e outro, e o outro....
por Lygia
São Paulo é uma cidade com milhares de vantagens para se viver. Tem, também, é claro, inúmeras desvantagens. Muita gente, muitos carros, muita sujeita, muita violência, muita miséria.
Todo mundo sabe que quando chove por aqui é um caos total. Dentre outras coisas, os bueiros entopem de lixo e as enchentes tomam conta das ruas e de um monte de casas também.
Nesses dias, o que mais se vê no trânsito (eu vejo pelo jornal, porque sempre volto para casa quando a chuva aperta) são as pessoas muito irritadas, enfiando a mão na buzina. Motoqueiro quebrando o espelhinho dos carros, os carros empurrando as motos para fora da pista e por aí vai.
O trânsito, as pessoas irritadas e a buzina de todos os lados já fazem parte do cenário da cidade. O caos está sempre no limite de se instalar, mas nos outros dias que não chove, dá para a gente entender de onde sai, pelo menos uma parte, da sujeira da cidade.
Não importa o carro, o status e nem o bolso, o cara (ou a cara) que se acha completamente fora e inatingível daquilo que acontece com nós, pobres mortais, está lá de vidro escancarado, com o braço para fora, fumando o seu precioso cigarrinho.
Até aí, tá tudo bem (pra mim, pelo menos) porque no fim desse episódio, a bituca do cara que fuma vai para o lixo do carro dele, que ele separou só para essas situações. Certo?
Errado, né? A bituca vai direto para as ruas. Mas, tudo bem. Porque é SÓ uma bituca e ela é bem pequenininha. E tudo bem também, porque ele deve fumar só um cigarro por dia e, não tem nenhum problema, porque junto com ele não existem mais um milhão de pessoas (chutando bemmm baixo) que fazem a mesma coisa diariamente.
E eu que devo ser chata mesmo, porque além da bituca, ninguém costuma jogar latinhas, papéis, garrafas e essas coisinhas que não causam dano para fora da janela. Ufa, ainda bem.
É uma pena que esse comportamento cidadão não seja apenas privilégio dos nobres paulistanos. Tem gente para representá-los fielmente no país todo. Eu presenciei uma cena dessas que a gente tem muito orgulho de ver lá na Bahia. Porque quando não tem rua, a gente pode jogar o que não quer mais onde der mesmo e o cara do meu lado, jogou uma LATINHA de cerveja no MAR. Sim, no mar. A lata de lixo estava ao lado dele, mas ele não viu, porque não tem problema nenhum jogar só uma latinha no mar.
E daí no dia da chuva a gente vê pela televisão: enchente em São Paulo (na Bahia, no Espírito Santo...) carros ilhados, motoristas subindo no capô para se protegerem da água da chuva (que diga-se de passagem é cristalina), milhares de quilômetros de congestionamento, a água invadindo as casas....
Mas quem será que é o responsável por tudo isso? Só pode ser São Pedro mesmo que manda chuva demais, porque o cara que eu vi só jogou uma bituca, o outro só jogou uma latinha e, o outro, só uma garrafa e, o outro, só uma sacola e, o outro, só um pente velho e outro, e o outro....
Um comentário:
É um absurdo mesmo...já não chega o que produzimos por aqui...
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